quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Sem cor, sem poesia.


Ele veio aqui
desarrumou meus papéis
bagunçou minhas coisas
me anunciou aos bordéis

disse que não voltaria
que não queria mais sorrir
destruiu a poesia

Ele veio aqui e jogou fora os meus batons
meu mundo não tem mais cor.





terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Batendo portas.

Fechar a porta é renovador.
E não estou falando da forma educada de fechá-la. Isso remete a uma decisão pensada, uma atitude madura. Quem fecha a porta por educação pode ser considerada uma pessoa que é dona de si, que possui autocontrole. Ela fechou a porta por estar certa de que esta era a melhor coisa a ser feita, e fez isso com cautela, e saiu confiante.
Não...
Estou falando de bater a porta. Com força, com ignorância, como uma forma de esconder as lágrimas que estão prestes a pular em cima dele, como navalhas rasgando as feridas ainda não cicatrizadas. Bater a porta como uma adolescente que discorda da imposição paterna. Bater a porta para não ter que ver um sentimento se perder na íris alheia, para não precisar ouvir aquilo que com certeza te resumiria em um esboço mal feito de qualquer coisa.
Bater a porta estrondosamente é substituir o grito de dor que está ardendo na garganta. É não precisar olhar pra trás, é inconsciente, é avassalador, mas é revigorante. Não demonstra em momento algum a sua fortaleza, porém acende uma fagulha de poder. Bater a porta assertivamente é dizer para você mesma que é independente, que não possui medos, que é livre.
Falando a verdade, bater a porta nem é tão eficiente quanto parece, porque ao atravessar a rua você volta a se sentir impotente, volta a se questionar sobre a sua capacidade de lidar com a situação como uma pessoa adulta que você afirma ser. Pensa se não seria melhor ficar e ouvir o que ele tinha a dizer, afinal você sempre esperou que ele o fizesse. Mas não tem coragem, teme por uma desilusão ainda maior, e por isso bate a porta. Tem vontade de voltar e se desculpar, mas não o faz porque não quer perder o brio, porque é orgulhosa. E não volta porque se o fizer estará afirmando todos os defeitos que um dia ele enumerou em você.
Bater a porta é ameaçador. Insinua que você não vai voltar e não está aberta a propostas. Mas só insinua...
Bateu a porta e cortou as ruas desertas e escuras. Quem bom que está chovendo! As lágrimas do céu se misturaram às suas. Você ficou à vontade, e tudo pareceria normal se você não estivesse carregando um coração sangrando em suas mãos.
Parabéns! Você bateu a porta. Mas está esperando até agora o barulho dela batendo novamente atrás de você.

domingo, 5 de dezembro de 2010

Recomeçar de novo é possível?

Ainda prefiro ter os meus momentos de total arrebatamento.
Às vezes choro com razão, às vezes não.

Mas eu odeio chorar!
Ganho forças de acordo com minha imaginação

Ela me permite ir longe e eu não a impeço
É o reflexo do que eu gostaria de ser
E não tenho forças. 

Me alimento do improvável.



*Depois de uma tentativa fracassada, espero persistir dessa vez.